Segunda-feira, 17 de Junho de 2013

Casinha Boutique Café

Gosto de sítios assim. Acolhedores, de gente simpática. De comida simples e saborosa. De espaços encantados, do bom gosto da decoração. Do espaço onde apetece voltar em tardes de Domingo preguiçoso.  Na Avenida da Boavista, no Porto. 





Terça-feira, 28 de Maio de 2013

Somos o que comemos


Mirtilos
Aveia
Sementes de girassol, abóbora, pinhão, sésamo e chia
Misturar tudo e adicionar iogurte

Sábado, 25 de Maio de 2013

O silêncio ficava-lhe tão bem, Miguel!


Nunca fui grande fã de palhaços, mas sei que fazem as delícias da maioria dos mais novos. São uma profissão digníssima. Há quem lhes ache muita graça. Um palhaço é um ser do bem, divertido e brincalhão, mas todos usamos a palavra com o sentido da pessoa que nos incomoda as entranhas, não sei porquê, mas é assim. Na verdade, não costumo usar tal palavra para insultar pessoas, não me lembro dela, mas sei que muitos a mandam como bofetada verbal. Ora, Miguel Sousa Tavares é desses. E gosta de palhaçada. Chega a ser irónico que são os mais dos nossos intelectuais, gente que emite opinião, que se esborracha na primeira curva da mediocridade de opinião. São todos muito civilizados, cheios democracia e livros e depois, na volta, resvalam nas palavras vãs e fáceis. 

Quarta-feira, 22 de Maio de 2013

O pai do Passos

Quando até o nosso pai nos atira pedras (calhaus) pois que já não há esperança. Chega a ser divertido, o pai do primeiro-ministro a dizer a um jornal que o filho já está politicamente morto e enterrado. Ironia, foi o próprio António (pai do Passos) a dar o empurrão ao filho para se aventurar nas lides da política. Acredito que só queria o melhor para ele. Mas, mais um pedacito de ironia, António agora é um senhor reformado e o sacana do puto inventou umas medidas para lhe ir ao bolso. Ele diz que avisou o filho de que ele se ia lixar com estas ideias da política, o que ele não previa era que o filho o ia lixar a ele próprio. Diz o senhor: “Julgam que o meu filho não sabe? Coitado, sabe Deus o que ele passa. Está morto por se ver livre disto. A gente vai fazer uma festa, cá na família, quando ele se vir livre disto. Vamos fazer uma festa, nem queira saber”. Pronto, mais cedo ou mais tarde vai haver festarola. E o Pedrito de sorriso amarelo a agradecer ao pai todo o seu apoio. 

Terça-feira, 21 de Maio de 2013

Dias cinzentos em Oklahoma



Uma migalha. Um copo estilhaçado em mil bocados. Gente frágil, é o que somos todos. E a Natureza vira-nos do avesso para pedirmos redenção. Para lembrarmos que nem sempre temos salvação.

Sexta-feira, 17 de Maio de 2013

Do tempo e da idade

Não suporto conversas sobre idades, como se a idade de alguém a defini-se, lhe desse mais ou menos convicção de ideias, sentido de estar. Não dá. A idade só mede o tempo que pisamos a terra, não nos diz nada sobre como o fizemos. Conheço pessoas muito mais velhas completamente ocas, desprovidas de qualquer interesse. Conheço pessoas mais novas que apetece ouvir contarem histórias. Dizer que as pessoas de uma certa idade se dão melhor com quem nasceu na mesma época é um erro muito redutor, para quem diz, e para quem o faz. Há idades mentais que não estão em rugas de pele. Não se definem pessoas em datas lacradas em cantos de cartões de identidade. Dizer que a idade faz de nós qualquer coisa é achar que vivemos o tempo, sem experiência ou aprendizagem. Uma mentira, pouco. É assim, discussão para não dizer nada. Sempre me dei mal com o preconceito, mais ainda com os pré-conceitos (como gosto de dizer), as pessoas não são nada que se defina em números, não se relacionam assim, não têm de medir a distância a que estão dos outros pelo ano em que nasceram. Não são melhores nem piores por terem nascido uma década depois, ou três décadas antes. Não estão mais bem sintonizadas por terem o mesmo número de dias respirados.

Quinta-feira, 16 de Maio de 2013

Les petits mouchoirs, um filme de Guillaume Canet


Acredito pouco na amizade, aparece pouco, a verdadeira existe pouco, ou fui eu que a encontrei poucas vezes. Apesar de tudo, se que há quem partilhe uma cumplicidade tal, uma preocupação genuína, um modo de estar dividido que é de uma sinceridade extrema, de uma segurança inexplicável, esses são os amigos, os elos que não se deixam desvanecer nem por tempo, nem por distância. Essas pessoas conhecem-nos, quase sempre, muito bem. São capazes de nos roubar sorrisos sinceros, dos que vêm com o olhar. Mesmo assim, nunca ninguém é capaz de nos encontrar a verdade da alma, o que queremos mesmo, o que realmente nos inquieta e atrai. Isto é um lugar escondido no fundo das verdades que vamos construindo para recrear a realidade em que queremos acreditar. Les petits mouchoirs é uma história de gente que se conhece muito bem, mas não tão bem quanto a verdade. Um trágico episódio irá fazer com que o relacionamento entre um grupo de amigos de longa data se transforme. Aos poucos, cada um deles vai-se encontrando consigo próprio e desvendando aos restantes os pequenos retalhos das coisas com que iam adiando o confronto.
Um filme sobre pessoas, de carne e osso, carregadas de todos os defeitos que apimentam a vida, incapazes de saber ser com todas as certezas, mas muito certos daquilo que os une. Umas férias que irão transformar vidas inteiras.

Domingo, 12 de Maio de 2013

Anna Karénina, um livro de Lev Tolstoi


Anna Karénina não é um livro sobre ela própria, é um retrato de uma sociedade a cirandar em peça de teatro. Anna apaixona-se por um homem, é casada, e amaldiçoa viver um tempo em que o divórcio lhe mataria a vida toda. Acaba por não ser capaz de mais viver, de todo o modo. O livro, apesar de tudo, é mais sobre Lévin, a política, a religião, o sítio das gentes na sociedade. A crença ou a filosofia. Tolstoi é um pintor do seu tempo, Anna Karénina é um livro para dissecar esse tempo de plástico, onde a sociedade se pintava de vaidade. 

Sexta-feira, 3 de Maio de 2013

Quarta-feira, 1 de Maio de 2013

Pedidos de Maio

Tenho lido à velocidade de um caracol velho. Poucas páginas por dia, às vezes nenhuma. Dói-me, chateia-me, faz-me sentir um vento gelado algures no cérebro. Ler é para mim o sentido próprio do respirar, da mente que viaja, das ideias que podem ser outras, maiores. Ler é como preencher um espaço de alma que tem buraco sem fundo, que precisa sempre de mais. Preciso dos livros, como cheiro que viaja pelos meus sentidos e me acalma. Gosto das palavras, gosto ainda mais da transformação que fazem em mim. Lembro-me dos livros plantados em todos os tempos da minha vida, em cada prateleira da minha casa, desde sempre. São memória de todas as minhas idades. São companhia que me mantém só, mas confortável. Serena, sentimento de quem conquista, razão de quem se entende no mundo inteiro que as páginas viram. Preciso dos livros, preciso que o tempo me deixe um pouco mais com eles. Que Maio me traga conversas boas com a tinta que embala o papel. 

Era só isto


Domingo, 28 de Abril de 2013

We need to talk about Kevin, um filme de Lynne Ramsay


Perturbador. Um murro no estômago. Eva gerou em si um ser mau, gratuitamente implacável, destruidor, incapaz de um sorriso. É mãe, devia amar incondicionalmente, talvez o faça, mas não sem odiar em desespero. Kevin é o retrato de gente que não o é. Espicaça, consome a paciência, distribui indiferença com o olhar. Fá-lo aos olhos de uma mãe desgastada, mas persistente, incapaz de desistir de procurar solução. O pai sente aquele filho como especial e bom, nunca o viu verdadeiramente. Kevin acabará por trilhar um caminho de sangue, acabará por não ser ninguém a querer destruir todos os que o são. Eva, o saco de pancada, o rosto cansado, cinzento, sem luz, será o pilar de uma busca enlouquecido pela luz que se diz haver ao fundo do túnel. Talvez acabe por a encontrar, mas muitas cicatrizes ficarão a cintilar na escuridão. Para ver, de estômago revoltado e mente que quer pensar sobre todos os mundos que cada ser humano reproduz no mundo.

Sexta-feira, 26 de Abril de 2013

Como perder uma cliente em 15 dias

Sempre falei aqui da Zilian. Marca portuguesa de que muito gostava, acho ainda que a qualidade do produto é indiscutível, a marca bem pensada. Tinha até um certo orgulho naquilo, é português e é bem feito. Mas há coisas que ficam tão mal que apagam o bem que se faz. Há quinze dias, pedi a alguém que entregá-se em Lisboa uns lindos e maravilhosos sapatos que havia recebido em casa uns dias antes e que não me serviam. Com muita pena minha, não havia o número acima. Procedeu-se à devolução. Segundo o que explicaram, não era possível devolver o dinheiro na hora, porque tinha feito o pagamento por referência multibanco, mas que o valor iria parar à conta, automaticamente. Esperei uns dias. Pensei que fosse necessário algum tempo para encontrar no sistema a conta de onde se tinha feito o pagamento. Nada. Mandei mail. Afinal tinha de mandar o meu nib. Falta-me saber se, caso não tivesse dito nada, me teriam pedido o nib ou se ficaria no eterno esquecimento. Enviei o nib. Disseram que iam agendar o pagamento. Agendar? Mas que raio é isso? Posso agendar a devolução dos sapatos para quando me der jeito? Tive paciência. Pensei que fossem necessários um ou dois dias. Nada. Perguntei o que querem dizer afinal com agendamento. Ninguém respondeu. Passaram quinze dias. O dinheiro dos sapatos continua do lado de lá. Nem uma palavra, nem uma desculpa. Sempre fui um bocadinho advogada desta marca. Gostava mesmo. A desilusão é coisa triste. Talvez tenham clientes suficientes para não se incomodarem comigo. Mas eu estou profundamente incomodada por não ter sido cumprido um procedimento básico. 15 dias. Uma cliente perdida. E a falta de respeito faz-me urticaria. Quando não se respeita muito o cliente, aquele que nos veste a marca que somos, é porque não somos empresa grande como se devia ser. 

Quinta-feira, 25 de Abril de 2013

Da Democracia apregoamos a liberdade, como fim último das coisas, bem precioso que protegemos por ter na algibeira. Quando livres é tudo o que não somos. Somos sociais, condição de não decidir sozinho, de não fazer tudo. É bom, porque nos lembra que a sociedade se fez de regras para se organizar e respeitar. Mas é também ilusão, sentido de pertença de tudo aquilo que não existe, porque não existimos livres por muito que cantemos a liberdade.




Sábado, 13 de Abril de 2013

Tenho a séria convicção de que recebemos em dobro tudo aquilo que damos. Podem chamar-de de burra trinta vezes, podem achar que sou inocente, que não estou a ver bem o filme. Mas perderei sempre que ache que se não o fizesse não estaria a ser honesta. Sei que ao ser transparente no meu trabalho, ao ser capaz de dar a ganhar aos outros, sem maroscas ou subterfúgios, acabarei por ganhar mais. Ganho consciência tranquilo, certeza que sou capaz de liderar pelo exemplo, tranquilidade no que diz respeito ao caminho que quero seguir. Posso ter uma colheita mais tardia, mas sei que vai ser maior e de maior qualidade. Quando acham que estou a ser tótó porque perdi um ponto, estou apenas a cimentar a minha forma de ser e que é aquela com que quero carimbar o meu trabalho, honestidade, transparência, humildade. Tenho a certeza que é o caminho mais seguro para chegar ao meu destino.